Grupo é vítima de trabalho degradante

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Cortadores de cana tinham desconto em “folha” de colchão usado para dormir em alojamentos impróprios para um ser humano

Rita de Cássia Cornélio

Lins - Cortadores de cana que trabalhavam na região de Promissão e Lins (102 quilômetros de Bauru) viviam uma situação análoga à condição de trabalho escravo. Trabalhavam sem registro, sem equipamentos de segurança obrigatórios, estavam em alojamento sem condições mínimas e ainda tinham descontado do salário o colchão que usavam para dormir, entre outras coisas de uso pessoal. A situação foi constatada ontem, pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em Bauru.

Os migrantes foram trazidos do Nordeste para o corte de cana-de-açúcar e já haviam sido demitidos, ontem, quando a situação foi descoberta, explica o procurador Marcus Vinícius Gonçalves. “A empresa já entrou na Justiça pedindo a consignação e pagamento.”

Uma das frentes de trabalho ficava no sítio Nova Esperança 1, município de Promissão. Os trabalhores estava alojados em Promissão e Avanhandava. “Um dos piores alojamentos que o MPT vistoriou na região”, considera Gonçalves. O procurador disse que o aspecto do lugar causou repugnância, tamanha a falta de condições.

Ele explica que a firma contratante, Laerte Pedro Augusto, fornecedor de cana para a usina Equipav, se mostrou interessada em assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para colocar fim à situação irregular. “E para que os trabalhadores retornem à sua terra natal.”

De acordo com Gonçalves, o número de trabalhadores que viviam nessa situação varia de 40 a 50. “Estamos recolhendo os documentos, para posteriormente ter o número exato dos lesados.”

Para o procurador, a série de irregularidades é classificada como grave, mas não chega a configurar trabalho escravo. “Eles faziam descontos irregulares. Descontavam o colchão que os trabalhadores dormiam, cigarros, passagens e etc.”

Questão honra

O direito de ir e vir dos trabalhadores não foi comprometido, avisa o procurador. Segundo ele, os cortadores de cana são pessoas honestas que não queriam sair da cidade sem pagar as dívidas. “Para eles, é uma questão de honra. Alguns têm dívidas de até R$ 200,00 a serem pagas, porque estão sem dinheiro e precisam sobreviver.”

Fonte: JCNet

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